Sem solução à vista
Esse vulto era mais um desorientado. Já acometido de uma sede dolorosa e nada convicto de alguma vez chegar a bom porto. Devo confessar: compadeci-me dele, da sua agonia, da gravata, como um nó preste a levá-lo no tombo infindo de um enforcado.
Corava, o blazer esfrangalhado e umas lágrimas nada piegas, antes o sumo espremido de uma revolta de expatriado que o tomava dos pés à mente. Percebi e alvitrei levezinho - Não andará você em círculo, há semanas de volta ao ponto inicial?
Ele resmungou qualquer dito menos animador e, já trôpego, prosseguiu no seu carrocel.
Também a mim o espírito pesa que baste, neste mundo de cores e tamanhos desconhecidos, o mais certo um sonho ruim e acordado. Mudo e de uma secura total. Mas prossigo, cada vez mais entre saudades imensas do mar e de Famalicão. Não restam dúvidas: além das saudades nada parece frutificar nestas paragens.
Por vezes parece que desanimamos...
ResponderEliminarMas não nos deixemos "enforcar"!
E que os galos possam ainda cantar!
Bom fim-de-semana!
Tem toda a razão. Tocou dois assuntos num só, sem querer: a lenda do galo de Barcelos. O condenado à forca, sempre afirmando a sua inocência, disse que o galo cantaria antes da ececução. Assim aconteceu e o condenado foi libertado.
EliminarPor mais que não queiramos, o fim é inevitável.
EliminarMas acreditamos que esse fim seja um princípio, caro Amigo.
EliminarConfesso que não me foi fácil interpretar o texto. Só me aventurei a comentá-lo depois de várias leituras. Transmite-me um profundo sentimento de desenraizamento e de saudade. Melancólico e cheio de imagens fortes. O galo na cesta deixou-me curiosa, porque parece acrescentar ainda outra camada de simbolismo. Claro que gostei de o ler.
ResponderEliminarBoa semana. Um abraço.
Isto vem numa sequência de espanto ante o desconhecido (que é o Blogger). Aqui acontece outra contrariedade: o homem avistado também está perdido.
EliminarE a cesta com o galo é as saudades.
Um abraço Romi.
boa tarde querido amigo :) senti o andar em círculos nas suas palavras, espero que esteja tudo bem consigo. a saudade pode ser outra face do amor. abraço e continuação de feliz semana
ResponderEliminarÉ que ainda ando um pouco perdido neste novo mundo, não sei nada desta língua, amiga Ana. Que bom Vê-la por aqui! Um abraço.
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ResponderEliminarOlá, caro João.
"Nesta altura do campeonato", andamos todos à procura de um rumo, de um porto de abrigo. O mundo está em desordem completa. E nós, andamos completamente à deriva.
Gostei bastante deste seu novo espaço.
Abraço e boa semana.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com
Obrigado caro Mário.
EliminarEu ainda não conheço bem este "maquinismo". Mas cá nos arranjaremos. Grato pela sua visita
Um abraço.