Sem solução à vista
Esse vulto era mais um desorientado. Já
acometido de uma sede dolorosa e nada convicto de alguma vez chegar a bom
porto. Devo confessar: compadeci-me dele, da sua agonia, da gravata, como um nó
preste a levá-lo no tombo infindo de um enforcado.
Chorava, o blazer esfrangalhado
e umas lágrimas nada piegas, antes o sumo espremido de uma revolta de
expatriado que o tomava dos pés à mente. Percebi e alvitrei levezinho - Não
andará você em círculo, há semanas de volta ao ponto inicial?
Ele resmungou qualquer dito menos animador
e, já trôpego, prosseguiu no seu carrocel.
Também a mim o espírito pesa que baste,
neste mundo de cores e tamanhos desconhecidos, o mais certo um sonho ruim e
acordado. Mudo e de uma secura total. Mas prossigo, cada vez mais entre
saudades imensas do mar e de Famalicão. Não restam dúvidas: além das saudades
nada parece frutificar nestas paragens.
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