Sem solução à vista

Esse vulto era mais um desorientado. Já acometido de uma sede dolorosa e nada convicto de alguma vez chegar a bom porto. Devo confessar: compadeci-me dele, da sua agonia, da gravata, como um nó preste a levá-lo no tombo infindo de um enforcado.

Corava, o blazer esfrangalhado e umas lágrimas nada piegas, antes o sumo espremido de uma revolta de expatriado que o tomava dos pés à mente. Percebi e alvitrei levezinho - Não andará você em círculo, há semanas de volta ao ponto inicial? 

Ele resmungou qualquer dito menos animador e, já trôpego, prosseguiu no seu carrocel.

Também a mim o espírito pesa que baste, neste mundo de cores e tamanhos desconhecidos, o mais certo um sonho ruim e acordado. Mudo e de uma secura total. Mas prossigo, cada vez mais entre saudades imensas do mar e de Famalicão. Não restam dúvidas: além das saudades nada parece frutificar nestas paragens.

Comentários

  1. Por vezes parece que desanimamos...
    Mas não nos deixemos "enforcar"!
    E que os galos possam ainda cantar!

    Bom fim-de-semana!

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    1. Tem toda a razão. Tocou dois assuntos num só, sem querer: a lenda do galo de Barcelos. O condenado à forca, sempre afirmando a sua inocência, disse que o galo cantaria antes da ececução. Assim aconteceu e o condenado foi libertado.

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    2. Por mais que não queiramos, o fim é inevitável.

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    3. Mas acreditamos que esse fim seja um princípio, caro Amigo.

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  2. Confesso que não me foi fácil interpretar o texto. Só me aventurei a comentá-lo depois de várias leituras. Transmite-me um profundo sentimento de desenraizamento e de saudade. Melancólico e cheio de imagens fortes. O galo na cesta deixou-me curiosa, porque parece acrescentar ainda outra camada de simbolismo. Claro que gostei de o ler.
    Boa semana. Um abraço.

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    1. Isto vem numa sequência de espanto ante o desconhecido (que é o Blogger). Aqui acontece outra contrariedade: o homem avistado também está perdido.
      E a cesta com o galo é as saudades.
      Um abraço Romi.

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  3. boa tarde querido amigo :) senti o andar em círculos nas suas palavras, espero que esteja tudo bem consigo. a saudade pode ser outra face do amor. abraço e continuação de feliz semana

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    1. É que ainda ando um pouco perdido neste novo mundo, não sei nada desta língua, amiga Ana. Que bom Vê-la por aqui! Um abraço.

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  4. Olá, caro João.
    "Nesta altura do campeonato", andamos todos à procura de um rumo, de um porto de abrigo. O mundo está em desordem completa. E nós, andamos completamente à deriva.

    Gostei bastante deste seu novo espaço.

    Abraço e boa semana.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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    1. Obrigado caro Mário.
      Eu ainda não conheço bem este "maquinismo". Mas cá nos arranjaremos. Grato pela sua visita
      Um abraço.

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