Um minhoto na Capital
A Gare do Oriente é, essencialmente, um pré-aviso do apocalipse. Assim como se o desvastador tsunami já tivesse acontecido e, naquele bocado de betão e metais, se refugiassem as sobras da Humanidade toda, um aglomerado de etnias múltiplas esperando venha do céu um milagre qualquer. Foi como dei comigo, rodeado de ensurdecedora vozearia. Ensurdecedora... será exagero, porque nada me impediu de ouvir o tilintar das suas pulseiras, saída (a minha amiga) de um táxi e avançando decidida para o epicentro da catástrofe. Não lograra tempo para acabar de se vestir, mas sempre calçara botas altas e trazia mantimentos. O que congeminaria a minha amiga para salvar a pele e, quiçá, assegurar a continuidade da espécie? Corri para ela no alívio de quem se vale da Santinha do Monte. E até entusiasmado, imaginando-nos, os dois, sozinhos, tripulando uma arca-de-noé Alentejo fora. Assim lhe caí nos braços, como quem se agarra a uma boia; ou a duas... Creio não ter sido bem entendido. Repeliu-me, pergunt...