O restaurante Porta-Enxerto, em Famalicão

Já repetidamente escrevi sobre este oásis que obra a proeza de me desviar dos tradicionais comeres minhotos da minha terra.
Vão lá dez anos. O Porta-Enxerto nasceu (sem qualquer maldicência...) filho das tristes ervas de uma berma, para mim, na altura, condenado à secura de um inclemente solário. Mas (em boa hora) felizmente me enganei! De então para cá, não alterando o número de mesas e aquele vagar, quase de gente em família, nem o seu programa (a que hoje se chama "conceito"), o Porta-Enxerto foi e é uma casa sempre cheia. Ou melhor: uma casa com fila de espera, um espaço transbordante. Recomendável será a marcação de mesa...
A semana transacta, os almoços cumpriram o lema "cozinha do mundo". E lá me apresentei ao cheiro da moqueca de camarão (acompanhada de puré de batata e mandioca e de farofa com coentros e banana). Explicou-me o Sr. Hermenegildo Campos, o proprietário, tudo preparado com o brasileiro azeite dendê... Uma delícia, o prato servido! Leve, saboroso, aromático, sobreaquecendo os sentidos quase todos! E sobejamente regado com o branco Casa Ermelinda de Freitas, da Região Vinícola de Setúbal.
Quanto aos prostes, eu já nada necessito dizer: de lá vem o bolo brigadeiro, de todos conhecido como o melhor do planeta. Um descafeinado, com duas colheres de açucar amarelo, remata o fim das beligerâncias.
Come-se muito bem no Porta-Enxerto. Há sempre uma sopa, de entrada, para quem não chega possuido pelo calor; há também uma prova de azeite com vinagre balsâmico a embeber no são pãozinho de centeio; e uma salada com hortícolas, gramínias e pedaços de fruta para nos vitaminar. Em tudo, um toque de requinte e de satisfação, uma cozinha elaborada mas jamais pretensiosa.
A abençoar a refeição (eu e o Sr. Campos somos baptizados na mesma pia nacional, aliás a única aceitável), as armas de Portugal ladeadas por SS. MM. El-Rei Dom Carlos e a Rainha Dona Amélia. Porque estamos em mais uma estância do nosso grandioso Reino!
Pesquisem-no no Google. 

Comentários

  1. Acredito que se coma muito bem, mas confesso que me sentiria um bocadinho intimidada a almoçar sob o olhar de Suas Majestades! Não por serem da realeza, claro, mas "retratos" nas paredes deixam-me sempre desconfortável. O relato é tentador, como sempre, mas desta vez resistiria sem esforço. Filas de espera tiram-me logo o apetite!
    Com ou sem os cotovelos à mesa, gosto muito de o ler. Um abraço, João Afonso.

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    1. Obrigado Romi um bom dia.
      Eu marco mesa, sempre a mesma e SS MN são exemplarmente coloquiais.
      A comida única pela sua variedade e pela imaginação. Um caso único.
      Boa semana. Um abraço!

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  2. Mais uma vez agradeço-lhe por tão reconfortante publicação. São as palavras como as que aqui escreveu que me enchem e me tornam resiliente no dia a dia. Sempre foi e será uma honra servir-lhe e tê-lo como cliente e amigo no Porta-enxerto. Um abraço e cá o aguardarei em breve.

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