Até Vassal (Valpaços)
Não é exactamente uma viagem fácil. Percorremos a A7 para norte até à saída para Vila Pouca de Aguiar, a cuja ilharga passamos. E logo se multiplicam as rotundas, esse diabólico labirinto, nos que nos vai valendo o GPS, por norma um descarado mentiroso... Enfim, são sempre uns tantos quilómetros, encurvados e enganados, até reencontrarmos o rumo certo, já subindo a serra da Padrela. Num mundo agreste, mais despovoado, agora mesmo prevenido com telhados íngremes, que a seu tempo os nevões chegarão. Hélices monumentais, plantadas na paisagem natural, prospectam "energias alternativas", quais mirabolâncias marcianas.
Depois a Padrela entra em rampa descendente. As aldeias rareiam e dão a vez aos soutos e aos olivais. Há ali castanhas e azeitonas que serviriam o mais napoleónico exército; são, afinal, o estimulante sinal da presença e da empreendedora força das gentes de lá.
E diante do carro a vastidão transmontana indo até uma escarpada linha do horizonte, já espanhola por certo.
Assim decorre a viagem que não é breve, estonteada pelas muitas curvas da estrada. E quando os vinhedos sobressaiem e robustas penedias de caprichosas formas se destacam, certo é, Valpaços está chegando, ao passar de Vassal.
Vassal, um antigo microconcelho sempre cioso da sua Matriz.
No largo principal, a simpática e elegante casa setecentista da Família Carvalho e um grelhador de frangos - one man show - a um canto, negócio de fim de semana assaz aviado;
e o banco granítico no exterior do edifício da Junta de Freguesia, em que poisa um destacado autarca podengo, certamente o interlocutor dos caçadores, fazendo as horas extraordinárias adequadas à época de "coelhos e similares". Depois é percorrer as ruecas, onde se vive e pasma à varanda
e se preservam arquitecturas louváveis, venerandas, ricas e espaçadas, umas,
ou nem tanto, somente bonitas, arejadas, mas jamais destoando, as outras.
E onde, sobretudo, do velho se faz novo, remoçado, sem desiquilibrar. Como ordena o bom gosto e o bom senso.
Mais adiante, esquecido o centro da localidade, Vassal recupera as vinhas e as gigantes bolas de pedra.
Uma maravilha! E uma história a narrar um outro dia qualquer, quiçá com umas perdizes à cinta...
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