Diz Daniel Gouveia: "A Exposição que nunca fiz"
Escrevo sobre a mais recente publicação do meu Editor, um trabalho dele próprio. Frise-se: o meu Editor e caríssimo Amigo, a editar-se também, entre muitos outros afazeres ao longo da vida.
Não é meu propósito desenrolar aqui toda a extensa biografia do Daniel Gouveia, o homem dos mil instrumentos. Mas a um destes - o piano - farei destacada alusão remetendo para a busca, no You Tube, do Quinteto Académico em videoclip a preto e branco, com esta sua banda a tocar na caixa aberta de uma camioneta, ao longo da sossegada Avenida de Roma dos 60's...
Foi músico e gravou discos; militar com mais de dois anos de comissão na guerra colonial em Angola; basquetebolista, com o seu 1,90 metro de altura; fadista à moda antiga e um dos fundadores do Museu do Fado, um académico com obra valiosa nesta matéria.
E fotografou e escreve, divulga as suas memórias... E é editor.
Há vinte anos, precisamente, editou o meu primeiro romance. Por coincidência (segundo as contas dele) sairá em breve o vigésimo trabalho que lhe entrego, uns contos a virem ao mundo lá para o Natal.
Além do mais, com ele conheci as Astúrias, numa incursão em que o Daniel levava fado e eu um livro de poesia a apresentar. Foi uma inesquecível estadia em Gijon, a espantosa viagem através de Castilla-Leon, infindas tainadas e noites vadias e regadas com cidra com os parceiros asturienses.
O Daniel Gouveia oferece-nos agora a sua arte fotográfica no A Exposição que nunca fiz, um livro que se divide em três partes: antes da tropa; a tropa; depois da tropa. E o que ressalta é o seu sentido de observação no universo riquíssimo que é Angola, com o Daniel a miracular prodígios de saber e perícia usando o rudimentar material de fotografia da época.
Enfim, honrou-me o meu Amigo, na sua generosa dedicatória, com o epíteto de "fotógrafo". Muito obrigado Daniel, talvez com tal me assemelhe se pego na minha Canon digital, o que raramente acontece. O mais é plástico, e com o teu livro e a tua amizade espero ainda aprender o bastante.
Procurem e leiam, vejam o livro!
E para ti, caro Daniel, um grande e agradecido abraço - de parabéns também -deste pupilo sempre imprestável na revisão de provas!
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