A Costa de Lavos

No areal, a sul, o formigueiro movimenta-se animadamente. Deixá-lo! É inofensivo, está no que é seu, simplório, sem pretensões. A dezenas e dezenas de quilómetros dos açucareiros de prata refulgindo ao sol, onde se instala a praga da formiga burguesa e pretensiosa.
A Costa de Lavos tem formas modestas. Só mais recentemente se deixou inchar de vivendas de migrantes de torna-viagem. Mas, indo da periferia para o centro, deparamos com o asseio e a harmonia, assimilamos até invernos plausíveis.
Seria abusivo referi-la agora como terra de pescadores, que já não é, nem os há. Ficaram, porém, as recordações e, destas, a histórica lápide do desembarque, na sua praia, das tropas inglesas de Wellington, em Agosto de 1808, durante a Primeira Invasão napoleónica.
Os franceses são, actualmente, outros... Talvez entretendo-se no molhe, talvez liguarejando em voz alta, mamans et les petits terribles enfants, sacudindo os pés no paredão. Sem, contudo, irem ao miolo do burgo, arranjadinho e todo Agosto à sombra, 
que não seja outra, a da inusitada parreira perdida entre o casario.
Essa a verdadeira Costa de Lavos, a nascida para as águas oceanicas e a arte xávega de outrora. Com o seu eterno torcicolo, de olhar posto na Figueira da Foz
onde agora decerto trabalha e por poucas (cinco?) milhas não alcança com a ponta dos dedos. 

Comentários

  1. estive cá a lê-lo, querido Amigo. mas não quero comentar, desculpe! um abraço e tudo de bom <3

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  2. Como não gostar das letras e da Costa de Lavos, mesmo longe, sentir-se lá. Mias um texto belíssimo acompanhado de belas imagens. Tudo de bom, amigo. Obrigada pela visita!

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  3. Já não posso dizer que há muito tempo não visito Lavos. Na minha condição de formiga, adorei o açucareiro e saio daqui mais doce. Um abraço.

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    1. Imagino que conheça estas paragens bem. Quanto mais para sul mais refina o açucareiro.
      Um abraço Romi

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  4. Costa de Lavos... e o mar aqui tão perto.

    Há uns poucos anos chamaram-lhe a praia dos tesos...
    :)

    Gostei muito da prosa.

    Beijinhos.

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    1. É verdade Fá. Também eu sou um teso, estou na minha praia.
      Beijinhos.

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  5. Olá João Afonso
    Deixo aqui o meu "gosto" já que não há outra forma de o fazer.
    A Lavos nunca tinha ido. Pelo menos até ler a sua crónica.
    Abraço

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    1. Viva, Miguel Lucas!
      Muito obrigado. Já irei bater ao seu ferrolho, a saber novidadess.
      Um abraço!

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